sábado, novembro 17, 2007

tradução simultânea


time tempo

night time noturno tempo

high time esquivo tempo

no time tempo nenhum

p eaceful time pacífico tempo

l ast time último tempo

lost time tempo perdido

life time tempo de uma vida

pre cious time precioso tempo

ab sent time tempo que falta

my time meu tempo

no one’s time tempo de ninguém

death time tempo de morte

fu ll time tempo inteiro

ma ture time tempo maduro

timeless time tempo intemporal

um março a mais

nesse nosso
novo outono

não há folhas pra cair:

só caminho pra seguir.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Agenda

Tantas coisas ainda para arrumar:

papéis, cartas, bilhetes, fotos;

tantas lembranças para organizar, compilar e sacramentar:

nomes, endereços, sombras e fantasmas;

esquadrinhar os cantos da memória,

empunhar uma tíbia e trêmula lanterna

pelas grutas e poças da alma;

ir em busca de quem sou,

ouvir o eco de minha própria voz

somente para ultrapassar a ilusão-prisão do eu;

escutar a azáfama do dia,

a ebulição dos inumeráveis átomos em vôo;

praticar o desvelo,

o ioga permanente da compaixão,

lançar flechas, traçar atalhos

com a esperança única de obter compreensão;

Tanto sentimento para exercitar:

conjugar em cada ínfimo momento

os verbos fundamentais:

doar, entregar, perdoar, agradecer;

renascer: olhar nos olhos incessantes,

reverenciar a música dos céus;

decifrar, aos poucos,

a imensidão da ação de amar.

depositar flores e semear amores

nos solos movediços e assombrosos do universo.

quarta-feira, agosto 15, 2007

tabuleiro


na partida de xadrez,
vida, que me coube jogar,
pouca coisa foi preto no branco,
decifrável de primeira vez;

imaginei só a sorte, ignorante
por completo, do indissociável
de meios e fins, da necessidade
de estratégia, para seguir avante;

mais soldado do que general,
mais polonius do que hamlet;
fiz descoberta, tardia,
da beleza que jazia na palavra marcial;

o que diz respeito à guerra,
este é o significado, esclareço,
da metáfora, que vislumbra
em tabuleiro, a viagem pela terra;

ah! muito mais felizes e venturosos
seríamos, pudéssemos reordenar
as leis retas deste jogo, se concebidos fôramos,
por Decreto, mais argutos e poderosos;

mais próximos do Olimpo e de seus habitantes,
podendo reiniciar, de quando em vez,
a partida, refazer, do zero, algumas jogadas,
tornar a ver nossos queridos, no eterno viajantes;

(luízes antônios salinas, jorges luízes borges,
raphaelas, marias e elenas,
franciscos, singelos e de paulas,
será que este poema chega até vocês?)

super-homens de verdade, somente
se nos fosse dada a oportunidade
de ficar, suspensos por tempos no tempo,
prefigurando nossas fortunas, videntes;

mas a poesia é concreta: desenho inexorável,
de quadrângulos bem delineados: preto-no-branco-no-preto:
combinação infinita, no limite preciso do quadrado maior;
ajudem-me, deuses-karpovs, neste espaço, do irretornável.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

02/12/2007

Ah! o prazer de sentir sobre a pele as carícias da brisa paulistana, em uma manhã de garoa e de verão!

Da lista de motivos que fizeram de Piratininga o núcleo e carro-chefe econômicos da terra do Pau-Brasil, um dos mais importantes é a amenidade do clima, quando comparado às outras regiões de Pindorama, a ausência do calor sufocante e paralisante! A mais compatível atitude com uma temperatura acima de 30 graus centígrados é deixar-se nu ao sol!

O patriarca João Ramalho, fundador de São Paulo, ao gerá-la, não apenas se dispôs “contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu", como quis Oswald: ele cravou, numa espécie de oásis, os fundamentos de um dos aprofundamentos da ocidentalização do Brasil, propiciados e estimulados pelo viés temperado dos espaços que se abrem abaixo do trópico de Capricórnio.