na partida de xadrez,
vida, que me coube jogar,
pouca coisa foi preto no branco,
decifrável de primeira vez;
imaginei só a sorte, ignorante
por completo, do indissociável
de meios e fins, da necessidade
de estratégia, para seguir avante;
mais soldado do que general,
mais polonius do que hamlet;
fiz descoberta, tardia,
da beleza que jazia na palavra marcial;
o que diz respeito à guerra,
este é o significado, esclareço,
da metáfora, que vislumbra
em tabuleiro, a viagem pela terra;
ah! muito mais felizes e venturosos
seríamos, pudéssemos reordenar
as leis retas deste jogo, se concebidos fôramos,
por Decreto, mais argutos e poderosos;
mais próximos do Olimpo e de seus habitantes,
podendo reiniciar, de quando em vez,
a partida, refazer, do zero, algumas jogadas,
tornar a ver nossos queridos, no eterno viajantes;
(luízes antônios salinas, jorges luízes borges,
raphaelas, marias e elenas,
franciscos, singelos e de paulas,
será que este poema chega até vocês?)
super-homens de verdade, somente
se nos fosse dada a oportunidade
de ficar, suspensos por tempos no tempo,
prefigurando nossas fortunas, videntes;
mas a poesia é concreta: desenho inexorável,
de quadrângulos bem delineados: preto-no-branco-no-preto:
combinação infinita, no limite preciso do quadrado maior;
ajudem-me, deuses-karpovs, neste espaço, do irretornável.