Agenda
Tantas coisas ainda para arrumar:
papéis, cartas, bilhetes, fotos;
tantas lembranças para organizar, compilar e sacramentar:
nomes, endereços, sombras e fantasmas;
esquadrinhar os cantos da memória,
empunhar uma tíbia e trêmula lanterna
pelas grutas e poças da alma;
ir em busca de quem sou,
ouvir o eco de minha própria voz
somente para ultrapassar a ilusão-prisão do eu;
escutar a azáfama do dia,
a ebulição dos inumeráveis átomos em vôo;
praticar o desvelo,
o ioga permanente da compaixão,
lançar flechas, traçar atalhos
com a esperança única de obter compreensão;
Tanto sentimento para exercitar:
conjugar em cada ínfimo momento
os verbos fundamentais:
doar, entregar, perdoar, agradecer;
renascer: olhar nos olhos incessantes,
reverenciar a música dos céus;
decifrar, aos poucos,
a imensidão da ação de amar.
depositar flores e semear amores
nos solos movediços e assombrosos do universo.